Marca Brasil ganha assinatura musical durante abertura da programação oficial do Visit Brasil Summit
Manhã do evento teve retrospectiva das ações da Embratur e painéis sobre a importância da diversidade brasileira e seu potencial enquanto agente de expansão do turismo internacional do paísO diretor de Marketing, Negócios e Sustentabilidade da Agência, Bruno Reis, abordou os principais pilares de atuação da gestão e apresentou em primeira mão a assinatura sonora (Foto: Italo Amorim/Embratur)
A programação oficial do Visit Brasil Summit (VBS) 2026 teve início na manhã desta terça-feira (31) com a abertura conceitual do Plano Brasis e a celebração dos 60 anos da Embratur. Na ocasião, o diretor de Marketing, Negócios e Sustentabilidade da Agência, Bruno Reis, abordou os principais pilares de atuação da gestão e apresentou em primeira mão a assinatura sonora da Marca Brasil, criada para dar som ao símbolo que representa o país no exterior.
A composição representa a essência do logotipo oficial do Turismo brasileiro e foi criada em parceria com a Zanna Sound. “A música busca traduzir a Brasilidade Borogodó através do som, unindo o orgânico ao contemporâneo. É autêntica nas raízes, diversa nas influências, transformadora no movimento, acolhedora na sensação e regenerativa na atmosfera. Uma sonoridade que flui entre o orgânico e o contemporâneo, criando uma identidade viva, envolvente e em constante renovação. A gente deu de presente uma assinatura sonora para a Marca Brasil. Essa identidade será usada globalmente em estandes e roadshows”, destacou Bruno Reis.
Fazendo um balanço da gestão atual, sobre o Plano Brasis, Reis destacou que a iniciativa mudou a mentalidade da Agência para a geração de negócios e atração de investimentos, indo além da simples visitação. ”O Plano foi construído com muita escuta de destinos e empreendedores. O turismo internacional não se faz sozinho e exige alinhamento entre estados, municípios e setor privado para que o esforço não se dilua. Assim, o documento serve para garantir que a estratégia de promoção siga uma linha coerente até 2027, independentemente de mudanças políticas”, salientou.
No painel, o diretor da Embratur também traçou uma linha do tempo, desde a criação até os dias atuais, sobre a história da Agência e abordou o trabalho de inteligência de dados que resultou no recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025.
“Estamos de fato no melhor cenário que já tivemos, na melhor janela de oportunidade para falar de promoção internacional. A gente de fato está no ‘hype’, na crista da onda, mas para isso tem que ter um trabalho muito coerente para que isso fique como um legado. No turismo internacional não se pode pensar no curto prazo, a visão é de médio para longo prazo. Lembrando que a gente tem no nosso país um ativo muito importante que é a conectividade aérea internacional e isso só se trabalha com médio e longo prazo. Então ter essa visão é importante e o Plano Brasis nos provoca a pensar”, afirmou.
A Construção do Branding Brasil
O primeiro painel do evento abordou “O Poder das Marcas na Construção do Branding Brasil” com a referência em branding no Brasil e finalista do Prêmio Jabuti 2024, Ana Couto. Com base em sua experiência à frente do impulsionamento do valor de marca em empresas e instituições como CBF, Havaianas, Cosan, Raízen, Brastemp, Natura e Eletromidia, a convidada deu orientações para que o trade turístico impulsione o marketing do Brasil dentro e fora do país.
A CEO do grupo Anacouto ressaltou que o Brasil precisa ser reconhecido além do eixo tradicional. “Cada região possui uma narrativa própria (cultura, gastronomia, festas populares) que, quando conectadas, ampliam a clareza sobre a complexidade e a riqueza do país.”
Ainda segundo ela, o branding do turismo no país deve começar “de dentro para fora”, apresentando os atrativos primeiro aos brasileiros e depois para os estrangeiros. “49% dos brasileiros não conhecem o próprio país, isso significa que falta uma base sólida de embaixadores internos. O turismo ganha força quando o brasileiro reconhece o valor do seu patrimônio”, aconselhou.
Por fim, para Ana Couto, o grande desafio do turismo brasileiro é a transição de “ser uma promessa para ser uma potência”. “Isso exige que o país pare de ser narrado pelos outros e passe a organizar sua própria história de forma estratégica, unindo cultura, política e sociedade em uma marca única e valiosa”, concluiu.
O DNA da Identidade Brasileira
Em seguida, a programação seguiu com o bate-papo “O DNA da Identidade Brasileira”. Mediada pela jornalista e apresentadora Bárbara Lins, a conversa reuniu a head de Insights no Grupo Consumoteca, Marina Roale, o produtor musical e músico Manoel Cordeiro e a diretora-presidente do Instituto Inhotim, Paula Azevedo. Na ocasião, os painelistas destacaram a diversidade e o potencial do turismo no Brasil.
Marina Roale abordou a mudança de percepção do próprio brasileiro sobre o país. Segundo ela, o país está seguindo para um estado de orgulho da autenticidade. “Aquele Brasil que por muito tempo tinha aquela coisa do complexo do vira-lata não existe mais. Na verdade, o que antes escondíamos era a nossa maior autenticidade. Agora, o brasileiro quer se reconhecer nessa pluralidade.”
Paula Azevedo, por sua vez, falou sobre o papel de Inhotim, em Minas Gerais, como um museu de destino. Ela enfatizou que o sucesso do instituto se deve ao fato de ele unir pilares fundamentais de forma indissociável. “O compromisso com o meio ambiente e o social já nasceu com a instituição, antes mesmo do termo se tornar popular. Inhotim não é só um museu, é também um Jardim Botânico. É um museu de destino e não um museu de passagem. O mineiro tem essa tradição em receber e Inhotim é o retrato disso”, afirmou.
Já Manoel Cordeiro trouxe uma visão poética e antropológica do Brasil, utilizando a música como metáfora para a formação do povo brasileiro. Ele destacou que a força do Brasil reside na diversidade, que ele classifica como mistura técnica e emocional. “Nós somos um povo especial porque convivemos em um mesmo território duas ou mais pessoas de cultura diferente. Isso não precisa inventar no Brasil porque está pronto em cada um de nós.”