Marinha do Brasil coordena Operação de Busca e Salvamento de navio africano à deriva há mais de 50 dias

Marinha do Brasil coordena Operação de Busca e Salvamento de navio africano à deriva há mais de 50 dias

O Navio-tanque “NW AIDARA” estava à deriva desde o dia 5 de fevereiro, quando apresentou falha no sistema hidráulico

Por Segundo-Tenente (RM2-T) Lais Beuthner Borges

A Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 3º Distrito Naval, coordenou uma Operação de Busca e Salvamento (SAR – Search and Rescue) do Navio-Tanque (NT) “NW AIDARA”, que estava à deriva há quase dois meses, entre a área sob responsabilidade do Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo (MRCC – Maritime Rescue Coordination Center) de Dakar, na África Ocidental, e da área sob responsabilidade do MRCC do Brasil.     

Na tarde do dia 25 de fevereiro, a equipe do Salvamar Nordeste recebeu a informação de que um navio, de bandeira de TOGO, estava sem propulsão e à deriva, desde o dia 5 de fevereiro, em decorrência de uma falha no sistema hidráulico, fora da área SAR brasileira.

O NT “NW AIDARA”, com tripulação composta por 11 pessoas, teve sua mangueira hidráulica rompida, principal causa do vazamento de óleo hidráulico e dos danos à engrenagem de acionamento do leme, comprometendo o controle do rumo do navio, que se deslocou à deriva, de forma contínua, até entrar na área de Busca e Salvamento marítimo sob a jurisdição do Brasil, especificamente no âmbito de responsabilidade do Salvamar Nordeste.Área de Busca e Salvamento marítimo sob a jurisdição do Salvamar Nordeste, delimitada na cor preta – Imagem: Marinha do Brasil

Acionamento do Salvamar Nordeste

Para cumprir o compromisso internacional de salvaguardar a vida humana no mar, o Serviço de Busca e Salvamento brasileiro foi acionado assim que o NT “NW AIDARA” entrou na área de responsabilidade do Salvamar Nordeste, aproximadamente 675 milhas náuticas (1.250 quilômetros) da costa brasileira.

Exercendo a coordenação da Operação, o Salvamar Nordeste contou com uma estrutura formada por meios operativos da MB, além de manter o acompanhamento do tráfego marítimo por meio do Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM V), a fim de monitorar a movimentação de navios nas proximidades do NT “NW AIDARA”, que, sob a orientação do MRCC – Natal, participaram do socorro, estabelecendo comunicação e fornecendo mantimentos e água à tripulação do navio africano. Simultaneamente, a Capitania dos Portos do Ceará coordenava a comunidade marítima local.Navio-Patrulha Oceânico “Araguari” (NpaOcAraguari) – Imagem: Marinha do Brasil

O navio estrangeiro, além de avariado e com escassez de alimentos, estava sem comunicação satelital e via rádio High Frequency (HF – comunicação de maior alcance e independente de satélite). A única forma de contato com o navio era por Very High Frequency (VHF), ou seja, sendo possível apenas receber informações de navios próximos.    

No dia 1º de março, orientado pelo Salvamar Nordeste, o Navio Mercante “YK NEWPORT” aproximou-se do NT “NW AIDARA”. Ao estabelecer comunicação e após realizar um atendimento de telemedicina para saber sobre o estado de saúde da tripulação, o “YK NEWPORT” informou que a tripulação do navio africano estava bem e que tentaria fabricar uma nova engrenagem de acionamento a bordo para concluir o reparo por conta própria. O comandante do navio avariado informou que, caso a tripulação não conseguisse concluir o reparo até o dia 8 de março, entraria em contato com o MRCC do Brasil para solicitar assistência.

Além de o contato não ter acontecido, a avaria não foi solucionada. O navio africano, que estava sendo acompanhado permanentemente pelo MRCC-Natal, derivava em direção ao nordeste brasileiro, com possibilidades reais de encalhe, risco à vida humana no mar, e o potencial impacto ambiental decorrente da natureza da carga transportada por esse tipo de navio. Fatores fundamentais que reforçaram a importância da Operação.

Sem receber comunicação do NT “NW AIDARA”, no prazo estipulado pelo comandante do navio à deriva, o Salvamar Nordeste enviou, no dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico “Araguari” (NPaOcAraguari) para interceptação ao NT “NW AIDARA”, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e, caso necessário, prestar apoio com suprimentos às vidas que se encontravam no navio.Marinha do Brasil entrega mantimentos à tripulação do NT “NW AIDARA” – Imagem: Marinha do Brasil

Ao mesmo tempo, a Corveta “Caboclo”, pertencente ao Comando do 2º Distrito Naval, designada para compor a estrutura SAR do Salvamar Nordeste, saiu de Salvador (BA) e chegou em Fortaleza (CE) para seguir em direção ao navio africano. Alguns dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar “Triunfo”, subordinado ao Comando do 3º Distrito Naval, desatracou do porto de Natal (RN), com o objetivo de realizar o salvamento do navio estrangeiro.Navio Corveta “Caboclo” – Imagem: Marinha do Brasil

O Serviço de Busca e Salvamento tem como objetivo prioritário resgatar a vida que se encontra em risco no mar. Adicionalmente, é relevante, também, salvar a embarcação para que a sua condição de deriva não comprometa a segurança da navegação”, declarou o Encarregado da Seção de Operações do Comando do 3º Distrito Naval, Capitão de Fragata Marcos Moreira Bezerra.

Há quase dois meses à deriva, o NT “NW AIDARA” chegou ao Porto de Fortaleza (CE), na manhã do dia 27 de março, conduzido pelo Navio Rebocador de Alto-Mar “Triunfo”, com a tripulação em segurança, finalizando mais uma Operação de Busca e Salvamento.Navio Rebocador de Alto-Mar “Triunfo” realiza o reboque do NT “NW AIDARA” – Imagem: Marinha do Brasil

As ações referentes às atividades de Busca e Salvamento desenvolvidas pela Marinha do Brasil resultaram no salvamento do navio, na manutenção da segurança da navegação e na prevenção da poluição hídrica. Porém, o êxito no cumprimento da missão reside na integridade física e psicológica dessas 11 vidas que poderão, em breve, voltar para os seus lares”, afirmou o Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff.

Meios envolvidos

Navios-patrulha, rebocadores, lanchas, navios de apoio, helicópteros são meios navais e aeronavais que a Marinha utiliza para o atendimento às ocorrências referentes ao serviço de Busca e Salvamento. No entanto, a estrutura SAR conta, também, com a colaboração da Comunidade Marítima, que envolve, por exemplo, navios mercantes, barcos de pesca e embarcações de esporte e recreio.Chegada do Navio Rebocador de Alto-Mar “Triunfo” próximo ao NT “NW AIDARA” – Foto da tripulação do NT “NW AIDARA”

Em relação à Operação de Busca e Salvamento do NT “NW AIDARA”, além da coordenação do Salvamar Nordeste, em terra, a mobilização realizada contou com a seguinte composição:

– Navio Mercante “YK NEWPORT”: após orientado pelo Salvamar Nordeste, aproximou-se do NT “AIDARA” para fornecer água e mantimentos;

– Centro de Hidrografia da Marinha: divulgação de Aviso-Rádio Náutico e posição atualizada do navio à deriva, alertando a comunidade marítima sobre a restrição de manobra de embarcação no local;

– NPaOcAraguari: interceptou o Navio-Tanque, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado de saúde da Tripulação e prestar suporte vital com mantimentos;

– Rebocador de Alto-Mar “Triunfo”: responsável pelo reboque, visando ao salvamento do Navio-Tanque e à segurança da navegação; e

– CV “Caboclo”: complementar às atividades do Rebocador de Alto-Mar “Triunfo”.

Colaboração: Capitão de Fragata (T) Eduardo Braga dos Santos

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Fonte: Agência Marinha de Notícias
Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/

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