Turismo Transforma: Favelas do Rio de Janeiro” revela o protagonismo das comunidades na promoção internacional do Brasil

Turismo Transforma: Favelas do Rio de Janeiro” revela o protagonismo das comunidades na promoção internacional do Brasil

Novo documentário da série mostra espaço de cultura e diversidade e foi apresentado nesta segunda (23) com produção inteiramente conduzida por moradores de seis morros cariocasAs favelas deixam de ser vistas à distância e passam a ser reconhecidas como espaços de cultura, criatividade, história e geração de oportunidades (Foto: Márcio Menasce / Embratur) O turismo que nasce da vivência, da memória e da potência das comunidades ganhou novos contornos no Rio de Janeiro (RJ), na noite desta segunda-feira (23), com o lançamento do episódio Turismo Transforma: Favelas do Rio de Janeiro. O novo minidocumentário da Embratur coloca no centro da narrativa quem sempre foi protagonista desses territórios: seus moradores.
 

O projeto simboliza uma mudança de olhar. As favelas deixam de ser vistas à distância e passam a ser reconhecidas como espaços de cultura, criatividade, história e geração de oportunidades. Ao reunir, em uma mesma produção, comunidades como Vidigal, Rocinha, Santa Marta, Providência, Mangueira e Chapéu Mangueira, a série apresenta ao Brasil e ao mundo um turismo construído a partir do pertencimento, do afeto e da autonomia.
 

Dividido em três episódios, o documentário percorre os territórios a partir de quem os vive. O grande diferencial está no processo de produção, uma vez que todas as etapas foram conduzidas por uma equipe formada por moradores de cada uma das regiões. A proposta é garantir uma narrativa genuína, alinhada ao conceito de lugar de fala e distante de abordagens estigmatizantes.
 

Para o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a iniciativa dialoga com a estratégia da Agência de valorizar o turismo de base comunitária como ferramenta de inclusão e desenvolvimento. “Sou do Rio de Janeiro e esse é o Rio em que eu sempre acreditei. É o Rio que enxerga vida, potência e gente. O turismo em favela não pode ser um safári social. É preciso conhecer, ouvir e entender, sempre conduzido por quem é de lá. É isso que gera impacto real na economia local e muda a forma como o mundo enxerga o Brasil”, afirma.
 

O protagonismo das populações locais também é destacado por quem constrói esse turismo no dia a dia. Nascido e criado no Santa Marta, o líder comunitário Gilson “Fumaça” ressalta a importância de romper estigmas históricos. “Estamos quebrando o paradigma de que ir para a favela é perigoso ou que precisa ser feito por ‘intermediários’. Nosso trabalho é dar visibilidade a quem desenvolve o turismo com profissionalismo e compromisso com a transformação social”, diz.
 

Já Patrícia Regina da Silva Ignacio, da Cooperativa de Reflorestamento da Babilônia e Chapéu Mangueira (CoopBabilônia), lembra do interesse crescente do público internacional por experiências autênticas. “O turista quer conhecer a favela ouvindo a história de quem vive ali. Isso faz toda a diferença para mostrar a realidade e o potencial desses territórios”, afirma.
 

Estratégia

O lançamento no Brasil dá continuidade a um movimento já iniciado no exterior. Em fevereiro, durante a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a Embratur realizou o lançamento internacional do episódio e promoveu, de forma inédita, a participação de empreendedores de morros como coexpositores no estande brasileiro. A ação permitiu que lideranças apresentassem seus próprios produtos ao mercado internacional, ampliando oportunidades e contribuindo para reposicionar a imagem dessas regiões.
 

Protagonismo

Além da promoção internacional, a Embratur trabalha em uma série de iniciativas. Para este ano, prepara, em parceria com o CIEDS, o lançamento do programa Made in Brasil. A proposta parte de um diagnóstico territorial para identificar potencialidades, desafios e peculiaridades locais, trabalhando diretamente com as comunidades na construção de soluções voltadas ao Turismo de Base Comunitária.
 

O programa também aposta no fortalecimento da identidade dos territórios, estimulando a produção de narrativas próprias, o desenvolvimento de estratégias de branding e a valorização de experiências autênticas, contribuindo para quebrar estereótipos e ampliar a visibilidade desses destinos.
 

Com atuação no Rio de Janeiro, Salvador e Recife, o Made in Brasil será desenvolvido ao longo de um cronograma que inclui formações, articulação de redes e incentivo ao empreendedorismo local. Entre as ações estão capacitações em temas como economia criativa, guiamento e turismo de base comunitária, além da realização de maratonas de inovação e processos de incubação de negócios.
 

Um dos principais resultados será a construção coletiva de guias turísticos digitais elaborados pelas próprias comunidades, reunindo experiências, serviços e atrativos locais. A iniciativa busca fortalecer a autonomia dos moradores, gerar oportunidades de renda e promover um turismo mais sustentável, inclusivo e conectado às realidades e histórias de cada território.
 

Outro projeto de destaque é o Rocinha Mundo Afora, que insere a comunidade na rota de grandes operadoras internacionais e amplia a geração de renda local. Dentro dessa estratégia, o Ideathon Rocinha Mundo Afora funciona como um laboratório de inovação, capacitando moradores e empreendedores para desenvolver experiências turísticas autênticas e sustentáveis, conectadas à identidade do território.
 

Uma frente importante é a qualificação profissional. O Laboratório de Encantadores, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), já capacitou centenas de guias e condutores de turismo no estado, preparando esses profissionais para o mercado internacional e fortalecendo a qualidade da experiência turística.
 

As ações incluem ainda iniciativas específicas de formação para guias de turismo em favelas, ampliando a capacidade de atendimento e garantindo que as experiências estejam alinhadas aos princípios de respeito, autenticidade e sustentabilidade.
 

Ao dar visibilidade aos territórios a partir do olhar de seus moradores, o projeto reafirma o potencial do turismo como ferramenta de transformação social, geração de renda e valorização da diversidade cultural brasileira.
 

Crescimento

O Rio de Janeiro vive um momento de alta no turismo internacional. Para se ter uma ideia, somente em janeiro de 2026, desembarcaram no estado fluminense 274.412 turistas internacionais, um crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2025. E em 2025, o estado recebeu cerca de 2,19 milhões de turistas internacionais, aumento de 43,7% em relação a 2024. Ao promover a favela como um destino de cultura e potência, a Agência diversifica a oferta turística e garante que os dólares deixados pelos visitantes cheguem diretamente na ponta.
 

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