Timeshare entra em nova fase de maturidade, aponta estudo apresentado no Share Summit

Timeshare entra em nova fase de maturidade, aponta estudo apresentado no Share Summit

Levantamento da Noctua Advisory revela impacto direto na hotelaria, crescimento consistente e oportunidades para ganhos de eficiência e fortalecimento de governança no setor

 

Foto: Comunicação Share Summit

 

– O mercado de timeshare no Brasil, ainda pouco explorado sob a ótica de dados estruturados, acaba de ganhar um novo retrato que reforça sua relevância econômica e aponta as principais oportunidades e os desafios setoriais. Apresentado durante o Share Summit 2026, realizado nesta segunda-feira em São Paulo, o estudo conduzido pela Noctua Advisory revela um setor com forte potencial de crescimento e valorização junto aos resorts no Brasil.

 

O levantamento, desenvolvido em parceria com a RCI, analisou 43 empreendimentos de um universo de 63 operações identificadas no país — uma amostra altamente representativa dos principais grupos do setor. Juntas, as propriedades analisadas totalizaram R$ 1,6 bilhão em VGV apenas em 2025, reforçando a consistência da amostra analisada (80% das vendas em todo o país).

 

Mais do que volume, o estudo mostra que o timeshare já exerce impacto direto na performance da hotelaria. Hoje, o modelo representa 11,5 pontos percentuais da ocupação total dos hotéis analisados, sendo responsável por 17,7% da demanda — número ainda distante de mercados maduros, onde essa participação pode ultrapassar 50%, evidenciando o amplo espaço de crescimento no Brasil.

 

Outro indicador relevante é o comportamento do consumidor: clientes de timeshare permanecem, em média, 0,7 dia a mais nos empreendimentos do que hóspedes tradicionais, ampliando o consumo dentro dos resorts e o impacto econômico nas propriedades. Para Pedro Cypriano, o estudo marca um novo momento para o setor: “O timeshare no Brasil deixou de ser uma aposta e passou a ser uma alavanca real de geração de receita para a hotelaria. O que os dados mostram é um mercado que já tem escala, mas que ainda precisa evoluir em eficiência, qualidade de produto e gestão para sustentar esse crescimento no longo prazo.”

 

Apesar do avanço, o estudo também revela pontos de atenção importantes. A operação é custosa e precisa ser bem gerida para ampliar o potencial de resultados do negócio. Os custos de comercialização chegam a 14,3% do VGV bruto, além de 2,7% do VGV com o pós-vendas. Já a taxa de cancelamento atinge 25,8% dos contratos, enquanto a inadimplência média chega a 14,1%.

 

Segundo Cypriano, os resultados do estudo reforçam a transição do setor para uma nova fase: “Além do crescimento em vendas, estamos qualificando a gestão e os novos produtos de timeshare. Porém, ainda precisamos evoluir, especialmente em mais benefícios ao cliente final, estímulos a consumo e governança. Quem não ajustar operação, experiência e estratégia comercial tende a perder competitividade.”

 

Apesar dos desafios, o cenário é positivo e de expansão. A expectativa média do setor é de aumento de 20% no VGV em 2026, com parte dos empreendimentos projetando crescimento superior a 30%. O crescimento das revendas dentro da base de clientes — que já representam 19,1% das vendas — também sinaliza maior maturidade e confiança no produto.
Para Fabiana Leite, diretora de desenvolvimento de negócios para a América do Sul da RCI – Resorts Condominiums International, a maior intercambiadora de férias do mundo, os dados reforçam o papel estratégico do modelo no turismo nacional. “Esse estudo traz uma leitura mais clara sobre o estágio do mercado e reforça o potencial do timeshare como motor de desenvolvimento de destinos turísticos no Brasil, desde que acompanhado por contínua profissionalização e foco na experiência do cliente.”
Na visão de Maria Carolina Pinheiro, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Wyndham Hotels & Resorts para América Latina e Caribe, e profunda conhecedora desse segmento, o setor entra em uma nova fase. “Os dados mostram um mercado que já ganhou escala, mas que agora precisa evoluir em qualidade, eficiência e governança. Esse é um movimento natural de amadurecimento que tende a fortalecer o papel do timeshare dentro do setor de hospitalidade.”

 

Realizado pela Noctua Advisory, em parceria com a Beta Advisory, o Share Summit reúne líderes do setor para discutir o futuro do turismo compartilhado no Brasil, com foco em estratégia, operação e investimentos. Mais do que um evento, o encontro se consolida como uma plataforma de inteligência para um mercado que segue em expansão — mas que agora busca dar um salto de maturidade.

 

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