A influência da cultura internacional nos hábitos alimentares


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A influência da cultura internacional nos hábitos alimentares brasileirosTendências globais moldam a forma como o brasileiro se alimenta, sem apagar identidades regionaisA alimentação no Brasil sempre foi marcada pela diversidade cultural, resultado da mistura de povos, regiões e costumes. Nos últimos anos, porém, esse cenário passou a incorporar influências ainda mais amplas, vindas de diferentes partes do mundo.Práticas alimentares internacionais, novos formatos de refeição e mudanças nos horários passaram a integrar o cotidiano brasileiro, reinterpretadas conforme hábitos locais, clima, rotina urbana e preferências culturais.Apenas em São Paulo, há mais de 104 mil restaurantes de 50 tipos de gastronomia, segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). A capital paulista também foi nomeada como a 18ª melhor cidade gastronômica no mundo pelo relatório “The World’s Best Cities 2026”.São Paulo ganha destaque por ser a maior metrópole do Brasil, mas é fato que todo o país convive diariamente com influências gastronômicas internacionais.Globalização, circulação de hábitos alimentares e adaptação brasileiraA globalização é a grande responsável pela atuação estrangeira nos hábitos alimentares. Sua presença se torna tão intrínseca ao dia a dia que muitas pessoas nem ao menos percebem que alguns costumes não foram desenvolvidos em terras verde e amarelas.O cachorro-quente, por exemplo, apesar do sucesso que faz Brasil afora, nasceu na Alemanha, em Frankfurt, em meados de 1800. A versão mais conhecida foi difundida pelos Estados Unidos, mas os brasileiros logo fizeram suas próprias versões com purê de batata (São Paulo), ovo de codorna (Rio de Janeiro) e molho de tomate (Manaus).Outros pratos estrangeiros fazem parte da dieta brasileira, como hambúrguer, kibe, macarrão e pizza. A relação com a comida é tão orgânica que muitas vezes as origens passam despercebidas e se transformam em receitas alternativas que se transformam em norma.Novas versões de pratos tradicionais acontecem de forma natural, com o passar do tempo. Para se adaptar às tradições socioculturais, geográficas e até econômicas de determinado lugar, receitas alternativas são mais que necessárias.O sushi com cream cheese ou a pizza de brigadeiro não existem no Japão e na Itália, mas fazem sucesso estrondoso no Brasil. A intenção não é desvirtuar as tradições de ninguém, mas aprecia-la o bastante a ponto de fazer modificações para que também sejam um pouquinho nossas.Como costumes gastronômicos internacionais chegam ao Brasil?A imigração é o fio condutor gastronômico entre os continentes. Mesmo receitas originadas no Brasil tiveram influências de outros países, como a feijoada e o acarajé, criados por escravos vindos da África.O mesmo aconteceu com as colônias japonesas, italianas, árabes, entre várias outras, que se instalaram pelo país e introduziram suas culturas culinárias na rotina e no coração dos brasileiros.Também há opções de gastronomias menos populares, mas igualmente merecedoras de admiração. Nas maiores cidades do país, há inúmeros restaurantes tailandeses, filipinos, peruanos, gregos, camaroneses…A maioria das casas é comandada por imigrantes estrangeiros que escolheram o Brasil como seu novo lar, mas também há brasileiros que viajaram para fora e trouxeram o que aprenderam de volta para casa. Seja como for, a imigração sempre está presente.O papel da mídia, das redes sociais e das viagensHoje em dia, não é preciso navegar milhares de quilômetros para influenciar alguém. Com apenas alguns cliques, é possível conhecer e se apaixonar por novos hábitos e culturas.O fenômeno recente mais notório é o da gastronomia sul-coreana, que vem conquistando cada vez mais brasileiros por meio das redes sociais, k-dramas (doramas) e k-pop. Ao assistir seus atores e idols favoritos se deliciarem com rámen, tteokbokki e kimchi, as pessoas também querem experimentar esses sabores e se sentir mais próximas de quem admiram.Os números refletem o sucesso da Hallyu (“onda coreana”, a popularização da cultura da Coreia do Sul ao redor do mundo): de 2020 a 2025, os pedidos de comida coreana em aplicativos de comida cresceram 430%.Influenciadores gastronômicos também contribuem para essa disseminação. Perfis nas redes sociais com milhões de seguidores postam vídeos culinários todos os dias, seja cozinhando, provando snacks ou conhecendo restaurantes de comida internacional.Muitos desses criadores unem gastronomia e turismo, desenvolvendo conteúdos em outros países que atiçam o interesse dos brasileiros. O resultado é uma enxurrada de cliques, comentários, curtidas, compartilhamentos e curiosidade para expandir o paladar — e até mesmo o incentivo para sair do Brasil e provar pratos em suas formas mais autênticas.Alimentação como expressão de comportamento e lifestylePara muitas pessoas, gastronomia é mais do que se alimentar — é um estilo de vida. Há quem encare a comida como um hobby e passe boa parte de seu tempo pesquisando sabores, selecionando restaurantes e provando novos pratos. Existe até mesmo um termo em inglês para essas pessoas: foodie.Quem faz parte desse grupo aprecia comidas de todo o tipo e não tem medo de se aventurar. Em um país tão grande quanto o Brasil, se deliciar com uma receita regional diferente não é difícil, mas a valorização da gastronomia internacional é igualmente significativa.Conceitos vindos de fora também transformam a relação com a comida. Na contramão do fast food, o slow food é um movimento italiano criado em 1986 em que a alimentação deve ser consciente, saudável e prazerosa.Nesse sentido, ingredientes selecionados, sustentabilidade, modo de preparo, preservação de tradições e recepção à contemporaneidade são elementos a se considerar.Flexibilização da rotina alimentar no dia a diaCafé da manhã, almoço e jantar não são as únicas refeições do dia.

         

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