56 milhões de brasileiros pretendem pular o Carnaval em 2026
Pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro mostra que 62% dos foliões preferem eventos gratuitos, como blocos de rua, trios elétricos e shows abertos
O Carnaval segue mobilizando milhões de brasileiros e reafirmando seu papel como expressão cultural e social no país. Pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro mostra que 56 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais (34%) pretendem pular o Carnaval em 2026. Entre quem vai festejar, 62% afirmam que devem participar de eventos não pagos. A preferência é ainda mais expressiva entre as classes C, D e E (68%).
A pesquisa revela que o perfil dos foliões que pretendem participar de eventos gratuitos ou pagos tem maior adesão dos jovens de 18 a 29 anos (44%), das classes A e B (37%) e dos moradores de capitais (39%), indicando que fatores etários, socioeconômicos e territoriais influenciam diretamente a forma como os brasileiros vivenciam o Carnaval.
Segundo o estudo, os blocos de rua gratuitos são a atividade mais citada (61%), seguidos por shows de rua gratuitos (38%) e trios elétricos gratuitos (32%). As opções pagas aparecem com menor adesão, como blocos com abadá (20%) e festas privadas (14%).
A pesquisa mostra que os sentimentos associados ao Carnaval também mudam conforme a forma de participar da festa. Entre quem pretende festejar, predominam sentimentos positivos, como felicidade (68%), liberdade (55%) e euforia (50%). Já entre quem não vai festejar, ganham força sentimentos negativos, como irritação (30%), estresse (27%) e inadequação (25%).
Além disso, para 67% dos brasileiros, o Carnaval é uma manifestação cultural importante. O reconhecimento é ainda mais expressivo entre católicos (76%), mas também aparece de forma relevante entre evangélicos (49%), mostrando que a importância cultural da festa atravessa diferentes crenças religiosas e visões de mundo.
A percepção positiva sobre a data também aparece para 69% dos brasileiros que concordam que o Carnaval é uma festa democrática e deve ser para todas as pessoas, enquanto 66% afirmam que a festa representa uma oportunidade importante para ocupar os espaços públicos, reforçando a rua como lugar de convivência, encontro e expressão coletiva.
“Os dados mostram que a maioria dos brasileiros entende o Carnaval como aquilo que ele é: cultura viva, não desordem. O Carnaval é o Brasil se olhando no espelho da rua, com identidade, criatividade e pertencimento. Defender essa festa é defender a nossa forma mais popular de existir em coletivo”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
A pesquisa também revela que existe uma expectativa clara de responsabilidade e cuidado durante o período. 97% dos brasileiros consideram importantes as campanhas de segurança no trânsito, especialmente relacionadas à combinação de álcool e direção, e 96% defendem campanhas de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis durante o Carnaval, sinalizando maturidade coletiva em relação à celebração.
“A alegria não pode custar caro depois. Quando maioria dos brasileiros dizem que campanhas de segurança no trânsito e prevenção são importantes no Carnaval, o que aparece é maturidade coletiva. O brasileiro quer festa, mas quer voltar para casa. Quer liberdade, mas quer cuidado. Campanha preventiva, aqui, não é moralismo. É proteção da vida no meio da celebração.”
Por outro lado, a maioria dos brasileiros não pretende pular o Carnaval em 2026. Entre os 66% que afirmam que não vão participar da festa, os principais planos são ficar em casa, citado por 59%, e descansar, mencionado por 55%. Passear pela cidade e trabalhar aparecem empatados, ambos com 16%, mostrando que o feriado também é vivido como pausa e reorganização da rotina.
“Nem todo brasileiro vive o Carnaval na rua. A maior parte vive o Carnaval como descanso, como silêncio, como intervalo. Existe um Brasil que vai para a rua buscar energia e existe um Brasil que fica em casa para recarregar. O dado mostra que o feriado tem mais de um jeito de ser bem vivido e fala também sobre o bem mais valioso do brasileiro, que é o tempo”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Metodologia
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas digitais autopreenchidas, entre os dias 20 e 26 de janeiro de 2026, com 1.503 brasileiros de 18 anos ou mais, de todas as regiões do país. A amostra é nacional e representativa, ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade e classe social, conforme parâmetros da PNAD Anual 2024 (IBGE), e apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais.